segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Patricia Rooney Mara: o novo sempre vem.




A mensagem da canção do compositor cearense Belchior, em Como Nossos Pais, “é você que ama o passado e que não vê, que o novo sempre vem”, reflete uma realidade nas telas do cinema. Quando não se espera mais muita coisa dos jovens talentos, um ícone nasce e arrasa qualquer atuação de velhos artitas. Aceitar isso nem sempre é fácil.



Ora, eu me refiro a gratíssima surpresa da atriz Patrícia Rooney Mara (guardem o nome que ficará em evidência). Sua atuação no filme “Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres”( The Girl with the Dragon Tattto), além de render as indicações ao Globo de Ouro e Oscar deste ano, rompe a mesmice de algum tempo e coloca uma nova personagem na crista da onda, esperando as continuações.



Rooney Mara, 26 anos, então patricinha, literalmente, filha da cidade da Maçã, riquinha, herdeira dos donos do time de basquete NY Giants, tinha tudo pra dar continuidade a carreira cinematográfica de Paris Hilton, Gisele Bundchen, etc., mas não foi bem assim. O impactante surgimento faz lembrar Malcolm McDowell, que aos 28 anos fez Laranja Mecânica (1971).



Na sua estréia como protagonista, chama atenção e abre mais um capítulo na história no cinema. No filme, Rooney interpreta uma investigadora que está sob tutela do Estado, por ser uma psicopata anti-social. Um clichê de Hollywood, difícil de fugir, seu desafio cênico inicial, que é logo ultrapassado nos primeiros minutos que a atriz desponta. Sensual, bissexual, dragão tatuado, pele branquíssima, vestuário extravagante (agora cultuado nas revistas de moda mais famosas), tamanho frágil, agilidade webnáutica, a personagem Lisbeth Salander desfila na telona numa movimentação hipnótica. A atriz encontrou o tom de voz perfeito, gestual nervoso, expressões faciais incomuns, isto numa face lisinha, de uma adolescente problemática, já virando ícone de uma geração facebookiana.



A transformação corporal/visual da artista para a película é rotina no cinema. Vale lembrar Ralph Fiennes em Dragão Vermelho (2002), ou Robert de Niro em Taxi Driver (1976), aos 33 anos, com nova performance em Touro Indomável, de dar medo. O maquinista (2002) mostra um Christian Bale, aos 30 anos com 30 quilos a menos. E mais recente, a atriz/modelo Charlize Theron, então com 29 anos, ganhou o Oscar em 2004 no filme Monster, onde conseguiu algo inusitado, ficar feia e convencer como atriz. Mas a bela garota dos Giants, vai além da sul-africana Charlize, no meu modo de ver.



Rooney consegue dar vida a uma figura já manjada, a garota rebelde louca, tão abordada em outras películas, com uma combinação de cenas dramáticas fortes, tiradas de humor, tomadas de ação vibrantes e uma expressão facial desconcertante. Nos assédios de seu psiquiatra (outra caricatura costumeira nos filmes) e na cena do estupro, impressiona o expectador tirando o fôlego de qualquer um. Sensação só atingida pela atuação da opulenta Monica Bellucci em Irreversível (2002), aos 37 anos. Aliás, a nudez de Rooney é mostrada em outros momentos no filme de David Fincher - o mesmo de “A rede social” - em todos os ângulos possíveis, sem cair na apelação quase inevitável.

O quadro da personagem Lisbeth Salander é irreal e inatingível, que na linguagem monossilábica e nos momentos de afeto, dão uma dimensão mais humana de seu sofrimento. Mesmo sendo uma psicopata anti-social, não usa da linguagem sedutora para quebrar suas regras, pelo contrário, com sua inteligência muitíssimo acima do comum, memória de autista, lembra mais a esquiva de uma Síndrome de Asperger em alguns momentos. Tédio quebrado pela atuação da atriz.



O filme de Fincher, em si, é mediano e usa os clichês possíveis, adaptando o livro do escritor sueco Sieg Larsson, autor da trilogia Millennium (alguém duvida que faturará milhões e milhões?). Arrasta-se em 2 horas e meia e só vale pelo aparecimento de Rooney Mara na tela.


Talvez não se trate realmente de uma atriz do quilate da inglesa Kate Winslet (cinco indicações ao Oscar até os 30 anos, e uma estatueta depois), a melhor de sua geração, hoje com 37 anos. Mesmo assim vamos escutar muito ainda dessa jovem atriz, que não deve tirar o Oscar da veterana Meryl Streep, 62 anos, afinal, todos amam o passado.



Gustavo Xavier é psiquiatra e cinéfilo

sábado, 31 de dezembro de 2011

PSIQUIATRAS: MEU FELIZ 2012

Estimados amigos PSIQUIATRAS,
Desejo a todos, um feliz 2012, de muita saúde e paz.


Desejarei neste réveillon, que no próximo ano, mesmo sabendo que tudo se repetirá, algo inesperado aconteça, como uma mágica e a mente das pessoas mudem, a ponto de termos um mundo melhor, neste ano que vai nascer.


O meu brinde será cheio de ilusão. Embriagar-me-á antes de tomá-lo por inteiro e me fará, mesmo que inutilmente, sonhar com a lucidez dos que violam nossa cidadania. Dinheiro no bolso dificilmente terei, e se saúde tiver pra dar, não venderei (está cada vez mais rara).


Meu grito de ano novo, também irá para os gestores, políticos, chefes, coordenadores, presidentes, diretores, secretários, consultores, e todos seus correspondentes vices, adjuntos, auxiliares, bajuladores, puxa-sacos, baba-ovos, amantes, sanguessugas e afins. Vou rezar para que todos ganhem mais humanidade, consciência e espírito coletivo, mesmo sabendo que não acontecerá.


Como disse, já se passará da meia-noite e provavelmente não estarei totalmente coerente e então terei a liberdade de acreditar que tudo pode mudar.


Lembrarei dos que se foram, com tristeza. Mas, o mais provável mesmo, é que eu chore pelo tempo perdido das ações inúteis deste ano, das corrupções, dos crimes, do primitivismo das mentes ditas sábias, da falta de respeito com as pessoas mais carentes.


Na ceia, saberei que nem todos estarão comendo como eu, abusivamente, e que muitos poderiam ter uma mesa mais farta, coisa que neste ano mais uma vez, poucos terão.


Os fogos de artifício, por mim, não estourariam no céu, ficariam pra sacudir na casa das pessoas que promoveram o retrocesso da nossa cidade, esse seria meu desejo perverso da noite. Eu acho que lá pelas duas da manhã, me darei este direito. Desculpem, eu sou de carne.


Enfim, que em 2012, o mundo não acabe. No réveillon para 2013, estarei renovando os votos.


Um grande abraço a todos.


Gustavo.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Juiz da 1ª. Vara da Infância constata atendimento de qualidade no Hospital Maria Alice

Na manhã desta quinta feira (15), o Secretário de Estado da Saúde Pública, Domício Arruda, acompanhou a visita do Juiz da 1ª vara da Infância e Juventude de Natal, Dr. José Dantas de Paiva e da promotora de Justiça em Defesa  da Saúde, Kalina  Filgueira, no Hospital Pediátrico Maria Alice Fernandes.
A visita foi para verificar in loco o atendimento daquela unidade hospitalar e a infra-estrutura oferecida aos pacientes.  Para o magistrado, o hospital está alinhado conforme solicitação do Ministério Público. "Estamos satisfeitos com o que vimos aqui no hospital, de fato, as informações prestadas pelo Estado sobre o Maria Alice, comprovam a melhora  no atendimento", falou o juiz.
Para o Diretor da Unidade, Wilson Cleto Filho, a decisão pela mudança de perfil daquela unidade para urgência referenciada organizou os serviços. "Hoje realizamos os procedimentos de alto risco e os pacientes só esperam quinze minutos para serem atendidos", anteriormente passava de duas horas", disse o diretor.
Atualmente, o Hospital Pediátrico oferece aos usuários a classificação de risco, uma triagem que é feita na entrada da unidade. Os leitos de UTI passaram de 5 para 10. A escala de Pediatras possui diariamente três profissionais de plantão. É realizado o ambulatório especializado em cirurgias e cardiologia. E em breve, haverá o atendimento da neurocirurgia.
Para a promotora Kalina Filgueira, é visível a reestruturação do Hospital. "Percebemos um atendimento de qualidade,o Estado está cumprindo seu papel e  fazendo com que os municípios também assumam suas responsabilidades na atenção básica", afirmou a promotora.
Para o Secretário da Saúde, Domício Arruda,a tendência é que  os Hospitais Regionais sejam reestruturados, de acordo com o perfil hospitalar. "A população sabe que pode contar com os serviços de alta complexidade do Maria Alice, que são de referência para todo o Rio Grande do Norte", disse Domício Arruda.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

MINHA HOMENAGEM AOS PEDIATRAS NATALENSES

Para Dr. Wilson Cleto, que teve um 2011 desafiador, uma poesia de Mário Quintana.

Rua dos Cataventos VI

Na minha rua há um menininho doente.
Enquanto os outros partem para a escola,
Junto à janela, sonhadoramente,
Ele houve o sapateiro bater sola.

Ouve também o carpinteiro, em frente,
Que uma canção napolitana engrola.
E pouco a pouco, gradativamente,
O sofrimento que ele tem se evola...

Mas nesta rua há um operário triste:
Não canta nada na manhã sonora.
E o menino nem sonha que ele existe.

Ele trabalha silenciosamente...
E está compondo este soneto agora,
Pra alminha boa do menino doente...

Mário Quintana