terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

REDINHA

Por Roosevelt Trindade*

Redinha que lembra as redes
Na varanda a embalar
Os meus sonhos de criança
Que gosto de relembrar.

Sonhava eu em poder
No futuro lá voltar
Construir uma casinha
Só para nós dois morar.

O amor era sublime
Transparente como um véu
O rio pro mar corria
O mar se juntava ao céu.

Tudo era efervescência
Como a espuma do mar
Que embalava meus sonhos
De eternamente te amar.

Na ciranda dos meus sonhos
Eu suspirava e dizia:
Oh! Meu Deus que coisa boa
O mundo da fantasia.

Suave brisa em meu rosto
Sussurrava a dizer:
A vida aqui e tão bela!
Como é belo viver!

Minha querida Redinha
Oh! Ninho do pescador
Oh! Meu mundo encantado
Oh! Paraíso do amor.

* Roosevelt Trindade é poeta, artista plástico
   e tio de um grande amigo do Blog!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Estamos Ficando Velhos

Caros amigos, sei que é triste mas temos que aceitar o fato da efemeridade da vida.
Quando ainda na faculdade, brincávamos, bebíamos, comíamos carne, sandubas, chocolates, buchadas, paneladas... Tudo de forma exagerada, extravagante e sem se preocupar com o amanhã.
Eis que chega A IDADE!!!
De forma lenta e gradual, vamos percebendo o tempo passar, filhos, sobrinhos...
Uma coloração prateada passa a fazer parte da imagem especular do seguimento cefálico e, estranhamente, ficamos muito parecidos com nosso colega que agora assumiu o cargo de professor da UFRN.
Uma protuberância, inicialmente charmosa, surge no meio do nosso corpo de uma forma tão teimosa que não há reeducação alimentar ou atividade física capaz de nos separar.
Ai, chega o dia de realizar os tais "exames de rotina". É quando a "merda vira boné"!

Pois é... Escrevo isso porque este fato ocorreu com um colega nosso.
O "caba" só comia osso se fosse para chupar o tutano; churrasco, só se fosse com gordura; corrida, só pra fugir de cachorro brabo.
Hoje em dia, o "homi" vive em cima de uma esteira de academia e anda comendo umas coisas esquisitas, esverdeadas, como podemos ver nas fotos abaixo.


Só nos resta desejar melhoras a esta pobre alma, pois sabemos que estamos sujeitos a sofrer estas mesmas mudanças daqui a alguns 10 ou 20 anos.

PS.: o copo de cerveja que aparece do lado é meu. Ele tava tomando Coca Zero!!!!!

domingo, 24 de janeiro de 2010

DOWNLOAD DE LIVROS NACIONAIS

Olá pessoal. E o veraneio? Bem, eu estou por aqui e mais uma vez colaborando. Essa nova dica é de um site pequeno, porém com livros de Medicina nacionais interessantes para baixar, além de vídeos médicos também. Lá vai: http://versaude.blogspot.com/
Grande abraço para todos.

domingo, 3 de janeiro de 2010

DOWNLOAD DE LIVROS MÉDICOS

Olá pessoal, antes de tudo, um feliz ano novo a todos, mas vamos começar os trabalhos desta nova década.
Estou enviando mais uma dica de site. Para quem não conhece, trata-se do www.avaxhome.ws, simplesmente considerando por muitos o melhor site deste planeta para download de livros técnicos, e claro, gratuito.
Na área de Medicina, basta clicar em Ebooks, em seguida no link da esquerda, science e depois clicar em medicine. Ou então procurar pela busca do site, o nome que desejar. Para vocês terem uma idéia, de Psiquiatria, tem mais de 1000 livros. Eu já estou viciado, digo, dependente, deste site.
Um grande abraço!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

PSICRÔNICAS

Estimados, envio uma das minhas PSICRÔNICAS, que escrevo regularmente para o pessoal da Psiquiatria.
ATESTO PARA OS DEVIDOS FINS...
Cheguei à conclusão que cerca de 25% do tempo dos meus atendimentos é destinado ao preenchimento de papéis e prescrições, além claro, das anotações médicas no prontuário. Gasto uma caneta a cada 10 dias. Deve ser por isso que os laboratórios as têm como brindes.
Inicio esta tarefa, normalmente no fim da consulta, com as prescrições médicas. Já não bastasse o número elevado de medicações que os pacientes com transtornos mentais tomam, os psicotrópicos são prescritos em receituários diferenciados, como todo mundo sabe, tendo que colocar o endereço também. A SMS de Natal ainda ajuda a aumentar o tempo, com o seu receituário pra quem sofre de micrografia. Possui 3 linhas com espaço de meio centímetro entre elas, o que leva ao preenchimento de mais receituários para prescrever tudo.
Quando o paciente faz uso de medicação de alto custo, aí a coisa se prolonga. Agora é necessário preencher o quadro clínico, colocar CPF, endereço, assinar e carimbar algumas vezes e depois disto tudo (pasmem!) uma receita da medicação...
E quando as receitas voltam? pois “a moça da farmácia não entendeu se o haldol é de 5 ou de 6 mg...”. Haldol de 6mg aonde?
Em alguns casos somam-se os pedidos de exames, os encaminhamentos com a ficha de referência (e nunca receber a contra-referência), etc.
Depois dedico-me a outros trabalhos como declarações, atestados, solicitação de seguro e similares. Nesse momento recebo várias recomendações:
__Tem que ser um “laudo bom” doutor, com o código e os remédios.
Sem falar nas deformações que este sofreu com o tempo... Atestado de fila, atestado do banco, atestado do leite, atestado do futebol (sim, este existe, trata-se de uma carteira de entrada livre nos estádios). Um dia destes, apareceu um “atestado do Tutubarão”. Calma. Tranqüilize-se. É uma escola de natação para reabilitação... Pelo menos é o que dizia o papel.
Tudo bem, tudo bem. Em prol do paciente, espero que seja sempre útil.
Espere. Sempre no final surge o famigerado atestado da STTU. Ah! Não poderia ter faltado. Este sabe-se lá quem inventou. Na lei, consta que é de obrigação de uma junta. Mas com tanta burocracia, já estou me sentindo como se fosse uma.
No final, marco o retorno no cartão do paciente e na agenda do ambulatório.
Ufa! Mas ainda tem que restar um tempinho para anotar a produtividade, até que entre o próximo paciente...

OS MISERÁVEIS

Mais um artigo do professor Edilson...

Os miseráveis


Não sei se quem defende que a medicina seja um sacerdócio, são os mesmos que aceitam que se paguem cachês de mais de 200 mil reais, aos que têm o dom do sagrado... Porém, o que sei mesmo é que não se faz mais sacerdotes como antigamente.

E bote antigamente nisso! Ta lá no fabuloso livro de Victor Hugo, “Os miseráveis”, que em 1815, o senhor Charles Myriel era bispo de Digne. E esse bispo era digno mesmo: não possuía bem algum; trocou a sua residência, de quartos suntuosos e amplos, para viver nas instalações acanhadas do edifício do hospital; dividia o seu salário de 15 mil francos, entre os necessitados, a ponto de ficar com apenas 1000 francos para as suas despesas pessoais... O fato é que “somas consideráveis passavam em suas mãos, sem que lhe acrescentasse o menor supérfluo ao que lhe era necessário...”.

Pois bem, o senhor Myriel era não só um sacerdote, mas um sábio também. Veja o que ele, certa vez, disse em uma de suas pregações: “Pecar nunca é o sonho do anjo. Tudo que é terrestre está sujeito ao pecado. O pecado é uma gravitação... errem, caiam, pequem, mas sejam justos”. E justiça seja feita, a Prefeita de Natal - voando como uma borboleta, gravitando pelos céus, se esquecendo que o mundo não se limita apenas à beleza de suas asas... – pecou.

Pecar, segundo o filósofo Jean-Yves Leloup, “é errar o alvo”. E a Prefeita errou feio neste natal de Natal. Errou o alvo, e por isso pecou, ao gastar milhares e milhões de reais na iluminação natalina, na realização de mega-shows, etc. etc. quando o foco, o alvo, deveria ter sido outro. Eu sei a importância do “pão e circo” para a população... Mas sei também da importância do que alertou o bispo Myriel: “Coloquem pobres, famílias, velhas senhoras e criancinhas dentro dessas habitações, e verão a febre e as doenças!”.

E a Prefeita, deslumbrada com as suas asas, esquecendo a calamidade da gripe suína batendo em nossas portas, preferiu aderir à ilusão da comédia que a realidade da tragédia. E é trágica, acanhada e pífia a política de saúde do nosso município: postos sucateados, faltando médicos, faltando vigilantes, faltando medicamentos; enfermeiras sendo “obrigadas” a assumirem o papel de médicos (pense que vai ser interessante agora, tê-las do nosso lado respondendo judicialmente por deslizes profissionais. Afinal, sofrimento que se sofre junto, se torna menos sofrível...), entre outros absurdos...

Tudo bem, eu sei que a sabedoria Eclesiástica nos diz: “Nada de novo debaixo do sol”, mas não foi para isso que a “lepidóptera” Prefeita foi eleita... Milan Kundera afirmava que “quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira”. Portanto, a prefeita precisa completar o seu ciclo biológico com urgência: quem sabe voltando a ser lagarta de novo, com os pés bem plantados no solo passe a enxergar melhor os problemas de Natal (só cuidado para não cair, nos diversos buracos da nossa cidade!).

Termino, lembrando-o, caro leitor: se pecar – Ai meu Deus, haja sacerdote para tanto pecado! -, é errar o alvo, estaríamos pecando em colocar toda a culpa só nas asas da Prefeita. Claro que somos também culpados. Não foi à toa que o magnífico Nelson Rodrigues, um dia, se lamentou: “Em Brasília somos todos inocentes e somos todos cúmplices...”. E a nossa cumplicidade, em aceitarmos políticas desastrosas em nossas cidades, tem que ter um fim. Basta de pagar tantos impostos (o IPTU de Natal aumentou, pra que?)! Basta de continuarmos ignorantes e omissos! Afinal, o bispo Myriel, aquele mesmo pobre de Jó, já gritava: “Vergonha é fica r toda a vida ignorante... aos ignorantes, ensinem o máximo de coisas que puderem; a sociedade é culpada por não ministrar a instrução gratuita; ela é responsável pelas trevas que produz. Uma alma cheia de sombras é onde o pecado acontece. A culpa não é de quem pecou, mas de quem fez a sombra”...

Francisco Edilson Leite Pinto Junior
Professor, médico e escritor

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009